sexta-feira, 16 de julho de 2010

Do esquerdismo infantil à maturidade e à liberdade

O Presidente Lula, repetindo um conhecido conceito, há pouco tempo afirmou:
"Esquerdismo é sinal de imaturidade juvenil. Quando a pessoa vai amadurecendo, caminha na direção oposta."
Seria isso verdade? Ou apenas algo que Lula disse para justificar o fato do seu governo ter abandonado os antigos discursos e promessas ideológicos? Ou, ainda, as duas coisas?
No livro "O medo à liberdade" (Erich Fromm; Biblioteca de Ciências Sociais; Zahar Editores - RJ/1970.) encontramos alguns trechos interessantes que abordam este tema de forma científica:
"Quanto mais a criança cresce e até o ponto em que são rompidos os vínculos primários, tanto mais ela busca a liberdade e a independência....
Tal processo apresenta dois aspectos: um é de que a criança fica mais forte física, emocional e mentalmente. Em cada uma destas esferas, crescem a intensidade e a atividade; ao mesmo tempo, as esferas vão ficando cada vez mais integradas. Forma-se uma estrutura organizada, dirigida pela vontade e pela razão do indivíduo. Se dermos a este conjunto organizado e integrado da personalidade o nome de EU, podemos dizer também que um aspecto do processo crescente de individualização é o aumento do vigor do EU.
O outro aspecto do processo de individualização é a solidão crescente. Os vínculos primários oferecem segurança e um sentimento básico de unicidade com o mundo exterior a cada um. À medida que a criança emerge daquele mundo, ela dá-se conta de estar só, de ser uma entidade separada de todas as outras. Esta separação de um mundo, que em comparação com a existência individual de cada um é esmagadoramente forte e poderoso, e muitas vezes ameaçador e perigoso, cria uma sensação de impotência e angústia. Enquanto se era parte integral daquele mundo, sem perceber as possibilidades e responsabilidades de ação individual, a gente não tinha de ter medo. Quando se passa a ser um indivíduo, fica-se só e enfrenta-se o mundo em todos os seus aspectos perigosos e avassaladores.
Surgem impulsos para renunciar à própria individualidade, para superar o sentimento de isolamento e de impotência submergindo completamente no mundo exterior. ... Assim como uma criança jamais pode retornar fisicamente ao ventre materno, tampouco pode inverter, psiquicamente, o processo de individualização. As tentativas para assim proceder assumem forçosamente o caráter de submissão, em que a contradição básica entre a autoridade e a criança que a ela se submete nunca é eliminada. Conscientemente a criança pode sentir-se segura e satisfeita, porém inconscientemente compreende que o preço que está pagando é a renúncia à sua força e à integridade do seu EU. Assim, o resultado da submissão é exatamente o oposto do que devia ser: a submissão agrava a insegurança da criança e, ao mesmo tempo cria hostilidade e rebeldia, que é mais aterrorizadora pelo fato de ser voltada contra as próprias pessoas de quem a criança continuou a ser - ou tornou-se - dependente."


Ou seja:
A história da vida humana é a história do conflito entre a segurança (interior e exterior) e a liberdade.
1- Quando nascemos, rompemos o cordão umbilical e nos tornamos indivíduos;
2- Ao passo que a criança cresce, vai aos poucos substituindo a dependência pela autonomia;
3- O medo e a angústia decorrentes da individualização e do aumento das responsabilidades criam,inconscientemente, o desejo de voltar à segurança do útero materno;
4- A impossibilidade deste retorno e a natural e crescente necessidade de liberdade criam, durante a adolescência, a hostilidade e a rebeldia (manifesta primeiramente contra a autoridade dos pais) e a luta por uma segurança que substitua o vínculo materno;
5- A medida em que o homem vai amadurecendo e garantindo sua própria fonte de sustento, perdendo o medo e a insegurança, rompendo os vínculos com a dependência dos pais e ganhando confiança nas capacidades individuais, a liberdade vai ganhando mais valor;
6- Nesta fase, o Estado, que substitui a família como garantidor da segurança, passa também a cumprir o papel de limitador da individualidade e se torna uma barreira para a necessidade natural e crescente de liberdade.
E o preço pago para este Estado (impostos, deveres, etc.) passa a pesar mais do que o produto fornecido pelo mesmo (segurança).

Em resumo:
O ímpeto esquerdista juvenil nada mais é do que a busca para substituir a segurança dos pais pela do Estado paternalista.
Mas à medida que amadurecemos, ganhamos auto-confiança e damos mais valor à nossa liberdade.
Ou seja:
Tudo o que um petista (e outros socialistas e comunistas) precisa, na verdade, é de um tratamento psicológico com um bom psicólogo, para conseguir superar suas angústias e medos e ganhar a auto-confiança necessária para amadurecer sem traumas ideológicos.
Em outras palavras
A militância socialista e comunista é, para a psicanálise, a luta para voltar ao útero materno, causado pelo medo de enfrentar as responsabilidades individuais.
E, provavelmente, tem origem em algum trauma familiar, ou em algum evento mal resolvido no desenvolvimento individual durante a infância ou adolescência.
Quem sabe, à luz da teoria freudiana, não tenha também alguma coisa ligada a um problema no desenvolvimento sexual?
O que deve ter de militante esquerdista que, inconscientemente (sem saber), é apenas produto de uma dificuldade na superação de alguma fase do desenvolvimento psicológico (fase oral, anal, fálica, ou período de latência)!